← Voltar aos textosIdentidade e maternidade

A maternidade mudou você. Mas você não desapareceu.

Por Talita Barreto · Psicóloga clínica · CRP 13/7742 · Leitura de 4 minutos

Você sabe o horário do remédio, o tamanho da roupa, o que cada filho gosta de comer e qual deles vai precisar de você primeiro quando todo mundo começar a chamar.

Mas talvez demore para responder quando alguém pergunta do que você gosta.

Não porque deixou de existir. Mas porque, por muito tempo, quase tudo em você precisou ficar para depois.

É possível amar a maternidade e sentir falta de si

Uma coisa não anula a outra. Você pode amar seus filhos e ainda sentir falta do silêncio, do trabalho, da liberdade ou da mulher que era antes de alguém chamar você de mãe.

Essa saudade não significa arrependimento. Significa que sua identidade é maior do que uma única função, mesmo quando essa função é uma das coisas mais importantes da sua vida.

Nem sempre voltar é o caminho

Muita mulher diz que quer “voltar a ser quem era”. Mas aquela mulher também mudou. Talvez o caminho não seja voltar. Talvez seja descobrir quem você está se tornando com tudo o que viveu.

Você não precisa escolher entre ser uma boa mãe e continuar sendo uma pessoa inteira.

Começar pequeno ainda é começar

Pode ser retomar uma leitura, sair sozinha por uma hora, pedir ajuda, voltar a estudar ou admitir que tem alguma coisa em você pedindo espaço.

Não precisa virar uma grande transformação de uma vez. Às vezes, reconectar-se consigo começa por perceber que você também está na lista das pessoas que precisam do seu cuidado.

Você sente que se perdeu no meio das demandas?

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Texto informativo. Ele não substitui uma avaliação psicológica individual.